Do muito que se tem pesquisado, pouco se tem lido de concreto a respeito da eletrificação da Estrada de Ferro Dona Tereza Cristina e, menos ainda, da propagação da ideia nos meios de comunicação de Santa Catarina e até do Brasil.
Dessas raras inserções, porém, uma foi encontrada: trata-se do texto publicado no jornal “A Manhã”, do Rio de Janeiro, em sua edição de quatro de fevereiro de 1942, quando todos viviam o clímax da Segunda Guerra Mundial:
“Mais uma estrada de ferro nacional cogita a eletrificação de suas linhas.
Dessa vez é a Estrada de Ferro Tereza Cristina, cujo desenvolvimento é sentido ultimamente na região a que serve; toda ela carbonífera e em franca exploração. O anteprojeto, que serviu de base à concorrência realizada em dezembro último, foi de autoria do engenheiro Moacyr Teixeira da Silva, do quadro técnico da Central do Brasil e compreende um conjunto de obras abrangendo a construção de uma usina termelétrica em Capivari, para a queima do refugo da lavagem do carvão santacatarinense e distribuição de energia elétrica às regiões mineiras de Criciúma, Urusssanga e Lauro Müller.
As linhas a serem eletrificadas somam uma extensão de 206 quilômetros principais e aproximadamente 15 quilômetros secundários, estendendo-se de Imbituba a Laguna, no litoral, aos terminais de Criciúma, Lauro Müller e Rio Deserto. Em virtude das condições da via permanente, compreendendo curvas de cem metros, o anteprojeto não previu grande velocidade, limitou entre 50 e 55 quilômetros por hora.
O sistema de suporte de rede aérea será idêntico ao adotado pela Rede Mineira de Viação, isto é, postes de madeira com braço de aço galvanizado, espaçados de 50 em 50 metros. O anteprojeto condensa o fornecimento de três subestações conversoras e uma cabine de seccionamento; a primeira será construída em bifurcação, a segunda em Esplanada e a terceira em Santa Clara. A seccionadora, por sua vez, será instalada nas proximidades de Tubarão.
Segundo as prescrições estabelecidas, o seccionamento da catenária está previsto em 18 pontos, sendo automático em quatro, nas três subestações e na cabine seccionadora; e manual nas quatorze restantes, ou seja na Parada de Roça Grande, Visconde de Barbacena, Cabeçudas, Parada Santiago, Estiva e Capivari; Tubarão no trecho Imbituba – Tubarão; entre Tubarão e Criciúma, em Jaguaruna, Morro Grande, Esplanada e Içara; e entre Esplanada e Rio Deserto, Cocal e Urussanga.
O estudo feito para a base da concorrência estabeleceu o peso de 66 toneladas para cada locomotiva – Onze toneladas por eixo para um trem máximo de 640 toneladas. Essas locomotivas, com caixa inteiramente de aço, dupla cabine de comando (uma em cada extremidade) terão um motor de tração em cada eixo. Os motores de tração serão operados de qualquer uma das duas cabines, por meio de combinação mestre
E, mesmo com tanto estudo, planejamento e boa expectativa de realização, nada saiu do papel!

